quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Underground Cristão #003 - Antidemon - Demonocídio

Há quem ame e há quem odeie, mas ninguém pode negar que esta banda revolucionou a cena underground cristã nacional.
A história da banda paulistana Antidemon se confunde com a própria história do pastor Carlos Batista. Nascido em berço evangélico, Batista sequer conhecia a cena metal e tudo que queria era ser missionário entre os índios, mas por uma intervenção divina começou a sonhar com uma música estranha e barulhenta que ele não conhecia. Num certo dia, ao passar em frente a Galeria do Rock ele ouviu um som que se parecia com o que ele vinha sonhando e descobriu a cena underground, a galera underground e seu chamado missionário.

Com muitas lutas e dificuldades, Carlos montou a banda que passou por diversas formações até chegar a atual que conta com o próprio Batista (baixo e vocal), Marcelo Alves (guitarra) e Juliana Batista (bateria). A banda, formada em janeiro de 1994, foi, pouco a pouco, ganhando espaço. Logo vieram as demo-tapes: Antidemon (1995), Confinamento Eterno (1997) e Antidemon 4 Anos (1998). Em 1999 finalmente foi lançado o primeiro álbum, intitulado Demonocídio, considerado até hoje, uma marco no metal cristão nacional e com distribuição por diversos países da Europa e América Latina. Várias canções deste disco foram incluídas em inúmeras coletâneas internacionais consagrando a banda no cenário underground.

Em 2009 a banda lançou Satanichaos pelo selo Rythm Rock e em 2012 lançam o álbum ApocalipseNow pelo selo australiano Rowe Records do lendário Steve Rowe da banda Mortification. O grupo ainda gravou um álbum no México, em 2002, intitulado Annilo de Fuego. Além dos quatro álbuns a banda participou de incontáveis coletâneas em todos os cantos do mundo adquirindo o status de grande nome do Death/Grind, não apenas entre os cristãos. Por tudo isso e muito mais, o Antidemon é um grupo que merece nosso respeito e apoio, sempre!

Demonocídio


Lançado em 1999, este álbum foi produzido de forma independente com material das demos anteriores e outras composições, totalizando 27 petardos sonoros de tirar o folego. O disco conta com Batista no baixo e voz, Elke na bateria e Kleber na guitarra. Com músicas como: Suicídio, Holocausto, Guerra ao Inferno e a polêmica e corajosa Apodrecida além de Massacre, faixa que se tornou um hino oficial da banda e é obrigatória em todas as apresentações, e que é executada por outras bandas. Uma coleção sonora bem recebida pelos fans e pela crítica e que quebrou barreiras dentro e fora da cena cristã underground.

Não vou comentar música a música, para não alongar muito esta postagem. Vou apenas listar as que eu mais curto e deixar para que você mesmo ouça e se delicie com este álbum tão emblemático. Destaque também para a arte da capa. Das músicas eu gosto de todas, pois cada uma tem sua qualidade especial e sua mensagem avassaladora, mas as que se enquadram mais no meu estilo eu destaco as faixas: Demonocídio, Usuário, Causas Alcoólicas, Massacre, Holocausto, Guerra ao Inferno, Cadáver, Drogas e Libertação II.

Ouça




Relacionadas

Aproveite também para ler a matéria sobre o Motification em: Underground Cristão #001 - Mortification - Primitive Rhythm Machine


domingo, 13 de agosto de 2017

Toda dependência é problemática

Vivemos uma geração viciada em estimulantes que só estimulam o emburrecimento!
Recentemente o caso do vazamento de um áudio de uma cantora "gospel" dependente de drogas, vazou na internet causando muitos comentários em todos os sentidos. Em se tratando da cantora, creio que ajuda espiritual e psicológica podem ser bem mais úteis do que exposição e acusações. Também faço questão de acrescentar que: o fato da artista estar passando por um problema não a faz melhor e nem pior do que os outros e, falando como cristão, o seu talento continua  sendo uma dádiva divina. Mas não é sobre a celebridade que quero comentar e sim sobre esta dependência crônica que os cristãos contemporâneos desenvolveram nos últimos tempos. A dependência das estrelas.

Vivemos num país onde a cultura e a informação foram banidas da coletividade e a elite cultural não passa de um bando de doutrinadores em sua perene missão de banir, a todo custo, a moral e os bons costumes. Nas instituições religiosas, esta característica acaba se refletindo na membresia e o que temos são instituições rasas com líderes inaptos e uma desinformação crescente no que diz respeito ao cerne do Evangelho do Jesus Cristo de Nazaré. Esta absoluta falta de estofo teológico formou toda uma geração que desconhece as Sagradas Escrituras e, consequentemente, ignora o que é ser cristão, não conseguindo levar uma vida conforme os ensinamentos do Mestre.

Este vácuo intelectual e espiritual produziu uma geração oca que preenche o seu apetite religioso com qualquer coisa que possua esta espécie de "Selo de Qualidade Gospel". Isto é tão verdade que é comum escutarmos conversas de irmãos te convidando para o culto porque vai ter um pregador de fora e uma cantora ou cantor famoso. Neste cenário grotesco, a ação do espírito (com "e" minúsculo mesmo) fica condicionada as cantorias e pregações de fogo que quase nada diferem dos rituais pagãos, importados do norte europeu e do continente africano. Enquanto isso o Espírito Santo observa. A conclusão que chegamos é de que temos uma geração dependente das celebridades gospel, onde o culto só será bom quando uma delas estiver presente. Ao final do espetáculo ainda tem a venda de livros, CDs e DVDs com direito a autógrafos e sessão de fotos.

Entenda que não tenho nada contra a atividade artística feita por cristãos. Não é isso! Também não sou contra que tenhamos nossos artistas preferidos, pregadores que apreciamos mais, etc. O problema surge quando condicionamos nosso culto a Deus à presença destas estrelas religiosas e esquecemos do verdadeiro propósito da vida cristã e do culto ao Senhor. Este tipo de dependência produz uma comunidade doente que não tem apreço pela Palavra. Crentes incapazes de digerir uma alimentação substancial, imaturos e superficiais que pensam que ser abençoado é conseguir casa, carro e bens materiais diversos, que pensam que o melhor desta terra é comida farta e passeios a Disney. Que vivem um evangelho enganoso, fraco e medíocre. Crentes sem amor, que acham mais importante compartilhar a desgraça alheia do que interceder pelos fracos, que choram com os que riem e gargalham com os que choram, contrariando, em todos os aspectos, a Palavra de Deus.

Que Deus tenha misericórdia de todos nós!

domingo, 6 de agosto de 2017

O Leão Surdo


Certa vez, um aventureiro estava desbravando o continente africano e resolveu acampar. Pela manhã ao sair de sua barraca deparou-se com um enorme leão. Sem fazer alarde, foi tateando tentando encontrar sua arma mas a única coisa que encontrou foi o seu violino que costumava levar onde quer que fosse. Sem muitas alternativas, abriu cuidadosamente o case, sob o olhar atento do felino e começou a tocar o instrumento. Para sua surpresa, o enorme e selvagem animal pareceu ter gostado da música e deitou-se calmamente para ouvir o concerto. Outros leões foram surgindo e formaram um circulo ao redor no músico que prosseguiu com sua apresentação para esta platéia tão inusitada. Em certos momentos o cansaço quase o levava a parar de tocar, mas ao perceber que os animais começavam a rugir retomava a toada e tudo se normalizava. Com alguma sorte, em algumas horas, uma equipe deveria chegar para encontrá-lo e tudo seria resolvido. Após algum tempo, um outro leão, surgiu como que do nada e saltou por cima dos companheiros atirando-se sobre o talentoso musicista matando-o e garantido uma farta refeição. Os outros animais levantaram-se e foram saindo calmamente do local, quando um jovem felino disse, na linguagem dos leões, para o seu companheiro: - Que pena, estava tão bom, mas o surdinho tinha que estragar tudo!!!

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Infelizmente, em nossas rotinas diárias, muitas vezes nos deparamos com os leões surdos. São aquelas pessoas incapazes de apreciar o mundo que as rodeia, pois só conseguem ouvir a voz de seu ego. Esta incapacidade de ouvir os outros, ouvir os diferentes, ouvir os contrários, lhes torna solitárias e egoístas. Se sentem donas da verdade absoluta e tendem a destruir tudo o que não venha delas mesmas. Como diria Caetano Veloso, na belíssima "Sampa": Narciso acha feio o que não é espelho.

Precisamos entender que somos seres relacionais e que sempre temos o que aprender com os que estão em nosso entorno e com aqueles que passam por nós como um vento ligeiro. Lembro-me de um senhor que conheci em Ponta Grossa: o irmão Miguel. Um negro alto, magro, lindo e de cabelos brancos, com um linguajar típico da roça, lia com certa dificuldade mas falava com uma sabedoria impressionante. Uma saber adquirido com o tempo e com muita inspiração vinda de Deus.

Uma coisa que aprendi, principalmente quando ministrava aulas, é que as pessoas sempre tem algo a nos ensinar e que quanto mais aprendemos vamos descobrindo que sabemos menos do que imaginávamos.

A humildade é uma virtude, difícil de ser praticada, mas necessária para o nosso crescimento. Ela é fundamentada no respeito e no amor aos demais seres humanos. O nosso maior risco de uma queda fatal começa justamente quando nos achamos superiores aos outros. Este sentimento de superioridade leva as pessoas a desprezarem as lições que podem ser aprendidas e quando isto ocorre, os riscos de uma queda aumentam. Existe uma comparação, popular, muito simples, mas que ilustra muito bem a regra para nosso comportamento: Temos dois ouvidos, dois olhos e uma só boca, logo, devemos observar mais, ouvir mais e falar menos. Uma regra que a princípio parece até um pouco boba mas que carrega uma grande sabedoria.

Não estou escrevendo isso para esgotar o assunto, mas para compartilhar um pouco daquilo que tem me ajudado a ser mais compreensivo e consciente de que a soma sempre é melhor que a divisão.

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Este texto foi baseado na fábula: O Leão e a Flauta (Autor desconhecido)

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Modos & Estilos #021 - Cólera - Pela Paz em Todo Mundo

Mais que uma banda punk, o Cólera é a banda que explodiu a minha cabeça!

Quando me deparei com o movimento punk nacional, no início da década de 80, em Curitiba, através da banda Beijo AA Força, inicialmente apresentado aos sons gringos e posteriormente aos nacionais, com o álbum SUB (ler a resenha aqui), mudei todos meus conceitos ao perceber que a música tinha o poder de formar consciência e transmitir indignação. Ouvir as bandas nacionais, em gravações de qualidade duvidosa, mas com uma coragem que não existe no mainstream certinho e politicamente correto, nos incentivou a fazer o mesmo. Foi graças ao movimento punk que o Brasil viu acontecer uma explosão musical que ainda está viva nos corredores dos subterrâneos culturais do nosso país.

Das bandas nacionais, uma que me chamou a atenção foi a paulistana Cólera. O grupo foi formado em 1979 pelos irmãos Redson (baixo e voz), Pierre (bateria e voz) e Helinho (guitarra e voz) com a proposta de fazer um som libertário e direto. A primeira apresentação da banda acontece em 12 de dezembro do mesmo ano no Bairro do Limão. Logo após Kinho assume o vocal. Em 81 Kinho e Helinho saem e Val assume o baixo e Redson passa para a guitarra. Em 82 participam da coletânea Grito Suburbano ao lado do Olho Seco e Inocentes e ainda no mesmo ano se apresentam no Festival Começo do Fim do Mundo no SESC Pompéia que rendeu uma coletânea homônima.

A banda participa ainda de algumas compilações internacionais. Em 83 Redson cria o selo Estúdios Vermelhos, responsável pela coletânea SUB, em 85 o selo passa a se chamar Ataque Frontal. Ainda em 85 lançam seu álbum de estréia Tente Mudar o Amanhã e em 1986 lançam o álbum Pela Paz em Todo Mundo que chegou a vender quase cem mil cópias, um número impressionante para uma produção independente. No ano de 87 a banda viaja para a Europa e se torna a primeira banda punk nacional a fazer um tour fora do Brasil.

O trio segue, lançando álbuns e fazendo turnês. Em 2009 inicia uma mega turnê, 30 Anos Sem Parar, comemorando os 30 anos de atividade. Em 27 de setembro de 2011 o vocalista e mentor da banda, Redson Pozzi faleceu, vitima de uma hemorragia interna, causada por uma úlcera no esôfago. A Banda resolve dar um tempo mas em 2012 anunciam o retorno com a entrada do vocalista Wendel Barros ex-roadie e amigo de Redson. O Novo vocal é bem aceito e o Cólera continua na ativa com shows e planos de um novo álbum.

Pela Paz em Todo Mundo


Lançado no formato LP, em 1986 pelo selo Ataque Frontal e relançado, com quatro faixas bônus, em 2000, pela Devil Discos, foi um trabalho bem distribuído, tocado em rádios, programas de rock, circuitos independentes e enviado em grandes quantidades para a Europa e Estados Unidos. O disco ainda gerou duas turnês pelo Brasil e uma pela Europa passando pela Alemanha, Bélgica, Holanda, Áustria, Suíça, Dinamarca, Países Bascos, Espanha, Noruega e França. Um marco na história do rock nacional que deve ser lebrado, comemorado e escutado.

As Músicas


Neste post vamos nos ater as canções do vinil lançado em 86 com a participação de Redson, Val e Pierre. São 14 canções de tirar o fôlego.

  • Lado A
  1. Medo - Um Clássico que fala da sensação de estarmos sozinhos e presos a um sistema que quando te estende a mão é apenas para te explorar. 
  2. Funcionários - Baixo e bateria numa introdução bem tribal. Punk rock de primeira, apesar do título, a música fala sobre mudança de consciência.
  3. Somos Vivos - Com uma pegada mais para o punk rock tradicional. Letra existencialista e com intuito de despertar o consciente coletivo.
  4. Alternar - Fala sobre a miséria da condição humana em sua luta para sobreviver e da futilidade das convenções sociais.
  5. Multidões - O título já diz tudo. A letra faz uma análise das massas manipuladas e incapazes de pensar.
  6. Direitos Humanos - Esta música fala sobre os excluídos e marginalizados que já não tem direito a vida com dignidade.
  7. Guerrear - "Nós não nascemos pra guerrear". Com este refrão a música faz uma denúncia das guerras absurdas onde inocentes são colocados na linha de frente de uma guerra que não é sua.
  • Lado B
  1. Vivo na Cidade - Nesta canção o enfoque é sobre o caos urbano das grandes metrópoles que massacram as pessoas com a poluição.
  2. Humanidade - Mas uma música de conscientização do lugar do ser humano na sociedade e das suas responsabilidades em relação aos outros.
  3. Alucinado - Nesta letra o tema é o stress e a letargia que abate o ser humano causando pânico e indiferença.
  4. Continência - Aqui o tema é o serviço militar que, na visão do autor, é uma forma de criar massa de manobra.
  5. Não Fome! - Mais uma vez a miséria está na pauta, desta vez por conta das políticas econômicas que achatam o poder de compra dos cidadãos.
  6. Adolescente - Aqui o tema são os jovens sem voz e sem ouvidos que os escutem. Aliás, a preocupação com os jovens é sempre presente nas músicas da banda.
  7. Pela Paz - Para fechar, a música que dá título ao álbum. Um grito de alerta para o caos em que toda a humanidade está se metendo. Já naquela época.

Conclusão


Este disco é um clássico da Música Brasileira que não perde a sua atualidade e sua autenticidade e que deve ser escutado por todos. Punk rock de qualidade, letras conscientes. O Cólera foi e continua sendo uma espécie de porta voz da humanidade contra as injustiças. Uma obra prima do rock nacional que atravessou fronteiras e ganhou respeito fora do Brasil, mostrando que aqui existe gente consciente. Uma aula de humanidade para as novas gerações.


sexta-feira, 28 de julho de 2017

Não sou pessimista, sou realista...

O Brasil caminha a passos largos em direção a uma falência ampla, total e irrestrita da máquina estatal, mas calma, isso talvez não seja tão ruim.
A crise do Estado Brasileiro não é recente, na verdade ela se inicia com a implementação da república, ainda de forma tímida, e vai se intensificando aos poucos com o passar dos anos, mas é depois do governo militar que ela ganha corpo para aportar neste caos que estamos vivendo. O movimento final se inicia em 1995 com Fernando Henrique, se consolida em 2003 com o Lula, descamba geral a partir de 2011 com a Dilma e agora agoniza com o Temer levando o país a mergulhar, neste últimos 22 anos, em um oceano de lama e esgoto. Não tenho dados concretos, mas creio que roubou-se a nação, nestes últimos vinte anos, mais do que em toda a história desde o "descobrimento". Não existem inocentes: PSDB, PT, PMDB e seus satélites transformaram o que restava de alguma ética e moral em um rolo compressor de corrupção e criminalidade que estão matando o Brasil e os brasileiros, numa escala onde não existe a menor possibilidade de reversão.

O Fato é que: o país está caminhando para uma falência do Estado nos próximos anos. Pode acontecer já em 2018 ou daqui uns dez anos, mas vai acontecer. Em alguns estados já está acontecendo e em outros os efeitos ainda não são tão perceptíveis. Mas os sinais estão aí: Educação doutrinadora e de péssima qualidade que tem preparado apenas militantes e não pensadores, sistema de saúde em frangalhos, segurança inexistente, criminalidade crescente, desemprego, desunião, falta de brasilidade e civismo, decadência moral, etc, etc, etc. Mas voltemos ao estado: A máquina estatal engordou e hoje alimenta um batalhão de sanguessugas que irão beber até a última gota antes que o monstro caia morto e depois de morto ainda tentarão ver o que dá para aproveitar para saciar sua fome insaciável. Para tentar prolongar a vida do moribundo cortes começarão a ser efetuados em todos os lados, menos, é claro, aonde deveriam acontecer.

Serviços, hoje fundamentais, deixarão de ser prestados, financiamentos serão cortados, calotes serão dados e mais impostos serão criados. Não haverá revolução pois já previam isto e desarmaram a população, não haverá intervenção militar pois as forças armadas estão sucateadas e desmotivadas, não haverá um salvador da pátria pois o país já está ingovernável. Talvez, diante deste quadro tão terrível, o leitor pense que não pode haver nada de bom nisto tudo, mas eu te afirmo que existe. 

Diante deste cenário horripilante podemos prever uma desestatização da Nação, ou seja: serviços que, hoje são prestados de forma precária pela União tendem a ser transferidos para a iniciativa privada. Por exemplo: na área da Educação já existe uma tendência de migrar para um sistema comunitário e também para o chamado Homeschool (educação em casa). Com o advento da internet e suas tecnologias podemos levar conhecimento e formação a distância. No campo da saúde podemos migrar para as clinicas populares onde o custo por atendimento individual é acessível e o empreendedor lucra pela demanda. Também é viável investir em segurança privada, geração de eletricidade por vias limpas e alternativas, transporte público por aplicativos, transferência de capital por meios eletrônicos, fora da rede bancária, que geram rapidez e menos encargos e muitas outras atividades que não caberiam neste artigo.

Não sabemos se temos dois anos ou dez, mas já entendemos que é possível criar um Brasil Paralelo, que funcione, em meio ao caos do Brasil oficial. É perfeitamente possível, mas para dar os resultados esperados temos um trabalho gigantesco pela frente que é a transformação ética e moral da mente do brasileiro. Eu não tenho dúvida de que estes existem muitos cidadão dispostos a isso e cabe a nós darmos os primeiros passos começando a mudança pela parte mais difícil que é mudar a nós mesmos. Mudar nossos hábitos corrompidos, nossos ânimos abalados e incendiar nossa força e nossa garra. Se conseguirmos dar este primeiro passo o resto é fácil.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Coletânea Brazilian Extreme Metal Bands

O underground cristão nacional dá as caras com mais uma coletânea reunindo treze bandas da cena brazuca, pelo selo Evig Morke Prod
Que o underground nacional nordestino é forte a gente já sabe. O que, talvez, muita gente não tenha conhecimento é de que ele é forte e atuante também entre os cristãos. E para comprovar isso, acaba de sair mais uma coletânea de bandas de metal extremos de todo o Brasil. Desta vez a iniciativa é do selo independente Evig Mørke Productions, de Fortaleza, CE. O Título da compilação é Brazilian Extreme Metal Bands e trás 13 bandas de diversos lugares. A ótima arte da capa é o designer Daniel Dutra.

Os treze grupos que formam esta coleção nos trazem um leque bem abrangente do metal extremo passando por vários segmentos, do sinfônico ao crossover num álbum visceral e muto bom de se ouvir. O trabalho está disponível para download gratuito (link no final do post) deixando claro que o objetivo é divulgar o trabalho das bandas. Participam da empreitada os seguintes nomes:

  1. Ceifadores - Anjo Maldito (Manaus - AM) 
  2. Mediadhor - Princípio do Fim (Teresina - PI)
  3. Cerimonial Sacred - The Choice Of The Wise (Santa Bárbara d'Oeste - SP)
  4. Antidemon - Não Tardará (São Paulo - SP)
  5. Edificador - Maldição Hereditária (Valença - RJ)
  6. Exortta - David's Lyre (Belo Horizonte - MG)
  7. Satan Decapitated - Apocaliptic Chaos (Salvador - BA)
  8. Vozes Noturnas - Ave Yeshua (Fortaleza - CE)
  9. Sabactâni - Instincts (Manaus - AM)
  10. Sebaoth - Fogo Dos Céus (Fortaleza - CE)
  11. Pulcro - Alone (Juiz de Fora - MG)
  12. Display Of Agony - Agony (???)
  13. Darkaliel - Floresta Obscura (Fortaleza - CE)
Como já se era de esperar, há uma ausência de bandas da Região Sul e não se deve ao fato da coletânea ter sido produzida no Nordeste, Temos um selo aqui no Paraná, estamos convocando bandas para um trabalho mas só as do sudeste, norte e nordeste se manifestam. mas voltando ao álbum, confesso que me surpreendi. Apesar de não ser da cena extrema e conhecer muito pouco do estilo curti bastante este álbum. Meu destaque vai para a banda Satan Decapitated com Apocaliptica Chaos, muito boa e energética e Mediadhor. Todas as faixas são muito bem gravadas e com certeza vão agradar os fãs do gênero.

domingo, 9 de julho de 2017

País cristão não tem corrupção

Como pode, a maior nação cristã do mundo ter índices tão absurdos de corrupção e imoralidade em todos os setores da sociedade?
Com 55% de católicos e 25% de evangélicos, o Brasil soma um total de 80% de cristãos no conjunto da população. A pergunta que fica é: qual a razão de um país, onde oito em cada dez habitantes se dizem cristãos, ser um dos mais corruptos da história? Se levarmos em consideração apenas os ensinamentos de Cristo, que é o cerne do cristianismo, deveríamos viver no país mais pacífico e honesto da história da humanidade! Então o que está errado? Este é um assunto longo e complexo com muitas variáveis e que não se esgota em uma postagem de um leigo, mas quem sabe, pela misericórdia de Deus, consigamos lançar alguma luz sobre este grave problema que enfrentamos.

Não vou negar que existe uma forte manipulação da mídia no sentido de por de lado os valores morais, doutrinários e de conduta dos Evangelhos, também não posso negar que existe uma manipulação no âmbito da cultura e da educação que faz um massacre ideológico contra estes valores classificando aqueles que os defendem como retrógrados e ignorantes. Mas não creio que uma consciência bem formada e firmada em bases sólidas possa ser tão facilmente manipulada. Neste caso, só consigo entender, que o grande culpado por este descalabro comportamental seja a própria igreja que tem se distanciado, mais e mais, a cada dia, do verdadeiro propósito dos ensinamentos de Jesus.

Não consigo ver nos Evangelhos, e creio que qualquer um que seja sincero também não consegue, um Jesus dando instruções para que a igreja seja rica e poderosa nos moldes deste mundo. Em momento algum das Sagradas Escrituras encontramos o Mestre ensinando seus seguidores a impor sua vontade, construir impérios, edificar templos luxuosos, se destacar na política, conquistar fama, fortuna e domínio sobre outros seres humanos. Não vemos o Cristo arrecadando dízimos e ofertas mas sim repartindo, doando-se e curando. O Filho de Deus nos ensina e orienta a sermos sal e luz. Esta é uma reflexão que sempre me chama a atenção.

Vamos até a cozinha para preparar um prato agradável. Sabemos que sem sal ele ficará sem gosto, com muito sal não dará para comer, mas com o sal na medida certa, ficará saboroso e teremos vontade de repetir. Mas note que não vemos o sal em um alimento bem preparado e sequer sentimos seu gosto mas sim o do alimento. Isto me leva a entender que ser sal é ser um influenciador para que as pessoas descubram o prazer de uma vida plena. Não somos nós que temos que aparecer, nossa função é mostrar que a resposta já está nelas mesmas, nós apenas vamos ajudá-las a sentir o sabor. Da mesma forma, a luz não existe para ficarmos olhando para ela, mas para que ilumine o caminho e assim possamos evitar os acidentes do percurso.

Ao meditar nos ensinamentos do Messias, percebo que somos a maior nação cristã do planeta, mas é bem provável que sejamos a menor nação em número de seguidores de Jesus Cristo. Pois não andamos como ele andou, não falamos como ele falou, não vivemos como ele viveu, não somos como ele é. Pois se fossemos seguidores de Cristo em espírito e em verdade, certamente teríamos transformado este país em um paraíso na terra.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Underground Cristão #002 - Grave Robber - Be Afraid

Quando se ouve o Grave Robber pela primeira vez o pensamento recorrente é: como eu não descobri esta banda antes?
A cena underground cristã tem produzido pérolas de valor e a banda americana Grave Robber é uma delas. Seguindo a linha Horror Punk, o GR lembra o som do Misfits mas sem deixar de ter uma identidade própria. Sua base operacional fica em Fort Wayne, Indiana. Formada em 2005 lançou seu primeiro álbum, Be Afraid, em abril de 2008 pela Retroative Records, gravadora pela qual ainda lançaram seu segundo disco, Inner Sanctum em janeiro de 2009. Atualmente a banda pertence ao selo Rotweiller Records por onde publicaram os álbuns: Exhumed em dezembro de 2010 e You're All Gonna Die! em novembro de 2011. Seu mais recente trabalho é o EP Straight to Hell de janeiro de 2015 também pela Rotweiller.

Além de ser uma excelente banda cristã, o Grave Robber é uma banda performática onde os integrantes são personagens que nunca mudam mas os atores por trás das mascaras podem mudar. Sua formação constante é: Wretched (vocals), Carcass (bass, vocals), Viral (guitar, vocals), Grimm (guitar, vocals) e Plague (drums).

A ideia da banda surgiu simultaneamente para Wretched e Carcass, durante um culto onde a palavra pregada era Romanos 6 que fala sobre estar morto para o mundo, estar morto para si mesmo e estar morto para o pecado, imediatamente os dois músicos ligaram isso a comunhão onde basicamente nos alimentamos do corpo e do sangue de Cristo. Isto foi o suficiente: Mortos que se alimentam de carne e sangue. Mas o compromisso com o Evangelho os levou a orar durante dois anos até que finalmente a banda iniciou os ensaios.

Neste post vamos apresentar o seu primeiro álbum, Be Afraid, um petardo sonoro que torna impossível não se apaixonar. O grupo evoluiu muito e cada trabalho está melhor, mas vamos ao álbum:

As Músicas


  1. The Exorcist / Intro - Essa intro já deixa bem claro o clima do álbum, que remete aos filmes de terror das décadas de 50 e 60 com direito a órgão e tudo o mais.
  2. Skeletons - Hardcore oldschool na veia, fala sobre ódio e assassinato e a necessidade de uma limpeza para se livrar de tudo isso.
  3. Burn Witch, Burn - De uma forma alegórica este Punk Rock fala sobre a necessidade de queimar a bruxa do mal que habita em cada um de nós.
  4. Bloodbath - Banho de sangue. O Nome já diz tudo. É preciso derramar sangue para haver limpeza. É obvio que se refere ao sacrifício que redime o ser humano. Os coros a lá Misfits são sensacionais.
  5. Rigor Mortis - Mais uma que fala do mal que nos assombra e nos acusa. A batida é sensacional.
  6. Buried Alive - Mais uma que fala da nossa condição miserável e questiona o fato de não sermos merecedores do sangue inocente que foi derramado por nós. O Clima é hardcore mais atual. 
  7. Screams Of The Voiceless - Rock com pegada mais hard que fala sobre o aborto e o fato da vítima não ter nenhuma escolha. Faz você pensar muito.
  8. Golgotha / Instrumental - Tema instrumental com sons incidentais que remetem a crucificação de Jesus. Uma pausa para o que vem a seguir. Bastante peso criando um clima tenso e melancólico.
  9. Reanimator - Uma ode ao sacrifício de Jesus e sua obra redentora que culmina com a sua ressurreição. Hardcore das antigas que dá vontade de sair pogando.
  10. Schizofiend - Mais uma levada para o hard que vira hardcore, se refere a mente dividida, onde a parte ruim precisa ser estirpada.
  11. Dark Angel - Hardcore acido sobre o demônio mostrando que não há nada de positivo no anjo caído. Sonzeira.
  12. I Wanna Kill You Over And Over Again - Amo esta música. Com uma levada mais Hard e Blues fala sobre a necessidade de matar o velho homem para que possamos viver uma nova vida.
  13. I, Zombie - Outra sensacional. Bateria bem marcada com vocais bem colocados para lembrar que enquanto servos de Cristo somos como mortos vivos que se alimentam da carne e do sangue enquanto aguardamos a volta do nosso Mestre.
  14. Army Of The Dead - E para fechar a fantástica Army Of The Dead que faz um convite para fazer parte deste exército de mortos, para o mundo, que vai saqueando o inferno em busca de almas.

Conclusão:


Be Afraid é um álbum cativante, sensorial e frenético que faz você querer se mexer. As linhas melódicas são bem construídas e mostram que existem músicos competentes por trás das máscaras. Além disso, são pessoas realmente comprometidas com seus ideias e com o Evangelho. Um álbum bom do início ao fim  e te leva a querer ouvir os outros trabalhos. Vale a pena.




quinta-feira, 6 de julho de 2017

Modos & Estílos #020 - Joelho de Porco - Joelho de Porco

Punk de Boutique, Pop Psicodélico ou pura zoação, não dá para dizer ao certo, mas os avôs dos Mamonas faziam o mais puro Rock'n Roll
A banda paulistana, Joelho de Porco iniciou suas atividades em 1972 tendo na formação original os músicos:  Tico Terpins (violão,voz, guitarra); Gerson Tatini (baixo); Walter Baillot (guitarra); Próspero Albanese (bateria e vocais); Conrado Assis Ruiz (guitarra, piano e vocais) e Rodolfo Ayres Braga (baixo e vocais). Ainda em 72 gravam um compacto simples, produzido por Arnaldo Baptista (ex Mutantes) e em 74 lançam seu primeiro álbum, São Paulo 1554/Hoje, bastante elogiado pela crítica.

Em 1976, o argentino Billy Bond assume os vocais e a banda passa por uma reforma na formação. Em 1977 gravam o álbum Joelho de Porco que é lançado em 1978 e que iremos analisar neste post. A banda ainda volta em 1983 quando lança o duplo Saqueando a Cidade que conta com a participação de Zé Rodrix. Em 1988 o grupo ainda lança mais um álbum, o 18 Anos Sem Sucesso.

Embora alguns insistam em afirmar que a banda foi precursora do Punk nacional esta é uma afirmação equivocada, pois apesar do deboche e até alguma consciência social nas letras fica claro que se trata de um grupo de pop rock e com forte apelo e produção voltada para o comercial, bem longe das motivações do Punk Rock.

Não há dúvida que é um ótimo grupo que trouxe um pop rock equilibrado com um certo peso em algumas faixas e muito e bem executado Rock,n Roll. O Álbum homônimo de 78 foi o disco que me levou a descobrir a banda e por um bom tempo era presença obrigatória no meu toca-discos.  Vamos ao álbum.

As Músicas


  1. O Rapé - Pop Rock que brinca com a situação da poluição e faz uma analogia com o consumo de drogas. Só não entende quem não quer.
  2. São Paulo By Day - Rock básico, fala sobre o problema, já naquela época, dos menores infratores no centro de São Paulo. Uma pegada meio hard meio glam, arranjos bem feitos.
  3. Paulette, Mon Amour - Folk Rock simples e bacana que trata da questão da homossexualidade, talvez, hoje, fossem chamados de homofóbicos.
  4. Rio de Janeiro City - Hard Rock que fala da violência da cidade Maravilhosa que ofusca os valores e mitos que fizeram a fama do Rio de Janeiro. O trabalho da guitarra é sensacional e tem um orgão pra lá de bem tocado. Muito boa a música.
  5. Feijão com Arroz - Mais um Pop com arranjos de metais, lembra um pouco a disco music da época mas que dá lugar a uma levada mais rock. Faz uma piada sobre a miséria e a fartura.
  6. Aeroporto de Congonhas - Blues que mostra o lado sem graça e sem sal dos paulistanos. Música bem experimental que trabalha com vários ritmos num clima meio psicodélico.
  7. Golden Acapulco - Pura comédia que brinca com os sucessos da música mexicana. Detalhe para o vocal a lá Beatles, nos backings. Um show. A guitarra também faz bonito na hora do solo. E os trocadilhos com malícia.
  8. Boing 723897 - Bateria e vocais alucinados dão voz a uma piada com a tecnologia frente a simplicidade dos habitantes originais do continente. Mais uma vez as referências de Beatles e Jovem Guarda estão presentes e bem marcadas. A Bateria e a guitarra dão um show a parte.
  9. Mandrake - Outra brincadeira, desta vez com o personagem dos quadrinhos a referências a falsa morão social que sempre esconde algo a mais. O Ritmo de marchinha de carnaval diz tudo.
Trata-se de um disco bem produzido e descontraído de uma banda que faz parte do panteão do rock nacional e que não pode faltar em nenhuma discoteca básica de respeito.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Lo-Fi - Quando o conteúdo é mais importante que a embalagem

Na esteira do DIY o movimento LO-FI vem como uma alternativa a idiotização da arte.
Não faz muito tempo que eu descobri o movimento Lo-Fi (pronuncia-se lou-fai) e imediatamente me apaixonei, não pela novidade, mas pelo fato de descobrir que eu já era do movimento antes de conhecê-lo. Tecnicamente, Lo-Fi é o antônimo de Hi-Fi, termo utilizado na indústria do áudio para designar equipamentos que reproduzem as ondas sonoras com alta fidelidade ao som original. Logo, Lo-fi pode ser compreendido como, baixa-fidelidade. Na produção musical, ainda tecnicamente falando, o termo serve para designar as peças musicais registradas com equipamentos simples e de baixo custo, que, teoricamente, não conseguem atingir o nível de fidelidade dos grandes, modernos e dispendiosos estúdios profissionais. Resumindo: a produção musical Lo-Fi era, na prática, um recurso de quem não tinha o aporte financeiro para custear uma grande produção. Isto era e continua sendo verdade em boa parte da criação musical alternativa e independente mas existe um outro lado desta moeda que precisamos compreender.

Não é nenhuma novidade que existe uma indústria que produz e lucra muito com a música de massa, esta que toca nas rádios, nas novelas e nos programas de auditório, destinada ao consumo rápido e facilmente descartável para ser imediatamente substituída por novas peças mantendo um ciclo interminável onde os ouvintes pensam que ouvem o que gostam, quando, na verdade, escutam o que este empreendimento comercial decide que devem consumir. Neste cenário, meramente empresarial, não existe espaço para a arte, seja esta tradicional ou de vanguarda. É óbvio que existem raras exceções, mas são apenas exceções que confirmam a regra maior. O que fazer então? Partir para a produção independente.

Neste cenário alternativo ou underground existem dois segmentos: Os que querem chegar ao mainstream e os que preferem continuar no underground. Quanto ao primeiro grupo, os poucos que obtêm sucesso, na maioria, ou se corrompem ou se frustram e voltam ao subterrâneo. Mas é do segundo grupo que estamos falando. Neste segundo grupo, que quer permanecer independente também existe uma subdivisão. De um lado os que não abrem mão da técnica e da tecnologia de ponta e só produzem e lançam algum material quando este atende uma série de requisitos técnicos que eu costumo chamar de Geração ProTools e do outro aqueles que se dão conta que o mais importante é levar a mensagem. Neste sentido o termo Lo-Fi cai como uma luva nesta turma que grava como pode, onde pode e quando pode.

Num tempo em que as agências de publicidade ditam as regras do que está na moda ou não, ser Lo-Fi vai além do recurso técnico, rompendo a barreira do establishment reinante e abraçando o legado do Faça Você Mesmo (DIY). Lo-Fi não está mais restrito a música, mas torna-se um sinônimo de liberdade criativa que atinge a arte em sua totalidade, deixando de ser um recurso para tornar-se um movimento. Mais que isso; ser Lo-Fi não prende você a uma estética comportamental ou de estilo como fazia o movimento punk, por exemplo. Trata-se de uma consciência que se aplica a todos os estilos e tribos. Abrangente, inclusivo e belo. Quase divino, se me permitem a ousadia. Então, ta esperando o que, para sair da caixa? 

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Músicos Para a Glória de Deus

Toda criação artística é um dom de Deus!
Quando uma pessoa descobre a fé cristã e aceita a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador de sua vida, este indivíduo continuará exercendo sua profissão normalmente, ou seja: Se era um médico continuará médico, a professora continuará dando aulas, o pedreiro continuará construindo casas e assim por diante. Não vemos um médico que se tornou cristão passar a clinicar apenas para crentes ou a professora pedir as contas na escola e passar a dar aulas apenas na igreja ou o pedreiro deixar de construir casas para os que não são irmãos na fé. Todos irão continuar exercendo suas profissões apenas com uma diferença. É que a partir de sua conversão, passam a ter consciência de que tudo o que fazem, deve ser para a Glória de Deus, a partir de uma cosmovisão cristã de vida e de existência. Existe até um incentivo eclesiástico para que sejam os melhores em suas atividades com vistas a dar um bom testemunho e exercer sua vocação de sal e luz para este mundo. Mas então, porque as pessoas ligadas a arte são praticamente obrigadas a abandonar suas profissões, por muitos líderes, ao abraçarem a fé cristã?

É obvio que algumas práticas devem ser deixadas de lado em virtude de um novo entendimento da vida. Por exemplo: se o médico praticava abortos não irá fazê-lo por uma questão moral e compromissal com a sua fé, a professora ensinará sua matéria de forma isenta e apontando aquilo que acata e o que não acata, o pedreiro construirá com mais zelo e sem enganos. Temos que entender que o Evangelho é um conjunto de valores válidos para todas as áreas da nossa vida, que irá gerar um reflexo em tudo o que fizermos. Da mesma forma o artista plástico, o ator, o escritor ou o músico, continuará vivendo da sua arte que agora certamente irá refletir seu novo status comportamental e só evitará eventos ou conteúdos que agridam seu conjunto de crenças e o deixem constrangido. 

Este costume impositivo de obrigar o artista, principalmente o músico, a abandonar sua habilidade profissional, tem matado talentos que nós, enquanto cristãos, cremos que foram dados por Deus. E o pior de tudo é que, para tentar minimizar o problema, as instituições religiosas tentam absorver estes profissionais criando uma indústria da música cristã que em nada difere da, tão combatida, e chamada, música secular. Com isso, cultos que deveriam ser objetos de exaltação e adoração ao nosso Deus, tem se transformado em palcos de eventos perdendo a única característica que não deveriam perder, que é: ser um Culto a Deus. A função da arte na adoração deve ser apenas de coadjuvante, no sentido de proporcionar um mero auxiliar de ambiência para o que é principal, mas o que temos visto é um palco onde celebridades rivalizam com o próprio Criador para buscar os holofotes sobre si e garantir um lugar no shopping dos vendilhões do templo. Quando o púlpito vira um palco, músicos viram estrelas e pregadores se transformam em animadores, podemos dizer que tomos um espetáculo, um show ou um circo, mas não podemos afirmar que temos um culto.

Precisamos rever, com a máxima urgência, nossos conceitos de serviço a Deus para não confundirmos as coisas. Quanto aos músicos, pintores, atores, poetas, etc, devem continuar a viver de sua arte e através dela lançarem luz sobre as trevas e, como sal, dar um novo sabor a este mundo amargo. Até a próxima!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Vingança não é justiça

Muito se falou, nestes dias, sobre o caso do meliante que teve a testa tatuada quando foi flagrado praticando um furto. Mas até onde a chamada justiça com as próprias mãos é realmente justiça?
O caso do rapaz que estava cometendo um roubo na residência de um tatuador que flagrou o meliante e tatuou a frase: "sou ladrão e sou vacilão", teve uma grande repercussão com opiniões variadas de todos os lados. Os que são a favor, os que são contra,os que se divertiram e os que ficaram tristes. Um caso típico daquilo que chamamos de justiça feita com as próprias mãos, mas que, se melhor analisado não se trata de justiça e sim de vingança. Mas para entendermos melhor temos que ir por partes.

Primeiro devemos entender a reação da vítima, ao se deparar com a sua propriedade invadida pelo menor infrator. A ação consumada na forma de castigo, não é justificada e mais para frente vamos entender porque. Mas a reação encontra uma justificativa, justamente na falta de perspectiva de solução por parte do Estado. Quando vivemos em um país onde o contribuinte não vê o retorno do seu esforço, ou seja, não tem a segurança, a educação, a saúde e o direito de defesa da propriedade que os seus impostos deveriam proporcionar, há uma tendência de que, a cada dia, mais reações desta natureza ocorram. O abandono do Estado cria cidadãos lançados a própria sorte que reagem e se defendem como podem e como pensam que devem.

Do outro lado temos um sistema penal que não estabelece justiça, pois, na maioria das vezes, não ressarce a vítima e nem recupera o individuo que praticou o ilícito, ou seja: temos crimes não resolvidos e criminosos que não são inibidos de suas práticas. O que gera insegurança para os chamados, cidadãos de bem e impunidade para os meliantes. Some-se a isso todo um cabedal de absurdos jurídicos e aberrações políticas que criam uma eterna sensação de abandono.

Quanto ao ato praticado, de tatuar a testa do rapaz, temos aí um sério problema pois, apesar de o jovem ter feito uma ação invasiva ao território da vítima objetivando subtrair seus bens materiais, em momento algum, da ação, o fora-da-lei cometeu qualquer ato de violação da integridade física da vítima, mas ao ser tatuado o agressor passa a, também, ocupar o lugar de vítima, ao ter a sua integridade física (seu corpo) violado pela vítima que agora se torna agressor em uma instância diferente da anterior.

Existe ainda, uma outra questão, ligada a semântica, que não se tem discutido no ato praticado pela vítima. Ao tatuar a frase "Sou ladrão e sou vacilão" na testa do garoto, fica implícito que o problema não está na atitude de roubar e sim na de vacilar, ou seja: é o mesmo que dizer: "pode roubar, mas não pode vacilar". Aquilo que poderia ser chamado de justiça, mas não é, pois não foi movida pela razão e sim pela emoção e, portanto, é vingança acaba passando uma imagem que não inibe o crime mas orienta para que, da próxima vez, o ato criminoso seja praticado com cuidado para não deixar pistas.

Infelizmente esta não é a primeira e nem será a última reação deste gênero. Muitas e piores virão por aí. Me desculpem o pessimismo, mas está cada vez mais difícil de acreditar em uma mudança para melhor.

E você, o que pensa? Qual a sua opinião?

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Modos & Estilos #019 - Rita Lee & Tutti Frutti - Fruto Proibido


Considerada a rainha do Rock nacional, Rita Lee tem uma carreira eclética passando por vários estilos e bons trabalhos, mas nada comparável a esta obra prima.
Rita Lee Jones Carvalho nasceu em São Paulo em 31 de dezembro de 1947. Começou a tocar bateria aos 15 anos. Entre 1966 e 1972 Rita Lee fez parte da maior banda brasileira de todos os tempos, os Mutantes, de quem foi co-fundadora junto com os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias. A Relação com Os Mutantes a levou a contrair matrimônio com Arnaldo Dias. Ainda com Os Mutantes gravou dois discos solo: Build Up em 1970 e Hoje é o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida de 1972 que, na verdade trata-se de um disco dos Mutantes mas que foi lançado como solo de Rita por questões contratuais da gravadora. Com o fim de seu casamento com Arnaldo veio o fim do seu relacionamento com a banda.

Com a amiga Lucia Turnbull forma a dupla Cilibrinas do Éden que acaba sendo o embrião da banda Tutti Frutti que conta ainda com Luis Sérgio Carlini e Lee Marcucci, entre outros. A Parceria com a nova banda dura de 1973 até 1978 e o saldo são quatro álbuns a saber: Atrás do Porto Tem Uma Cidade de 1974, Fruto Proibido de 1975, Entradas e Bandeiras de 1976 e Babilônia de 1978. Destes, o álbum Fruto Proibido é considerado até hoje, uma obra prima do rock nacional e nós vamos saber porque, nesta postagem.

O Álbum

Fruto Proibido levou meses para ser composto em um trabalho conjunto da banda. Foi gravado no estúdio Eldorado, em São Paulo, em abril de 1975 e lançado em junho do mesmo ano. O álbum trás uma mistura de rock, pop, blues e hard rock colocados de maneira bem equilibrada e feito com muito profissionalismo que resultou em grandes sucessos. Produzido por Andy Mills e financiado e colocado no mercado pelo selo Som Livre, vendeu, na época, algo em torno de duzentas mil cópias, um marco para um disco de rock no Brasil. Participaram deste trabalho:
  • Rita Lee: voz, violão e sintetizador.
  • Luis Sérgio Carlini: guitarras, slide, violão, gaita e vocal.
  • Lee Marcucci: baixo e cowbell.
  • Franklin Paolillo: bateria e percussão.
  • Guilherme Bueno: piano e clavinete.
  • Rubens Nardo: vocais.
  • Gilberto Nardo: vocais.
  • Participação Especial de Manito: Sax em "Esse Tal de Roque Enrow", Flauta em "Pirataria" e Órgão Hammond em "O Toque".

As Músicas

Lado A

  1. "Dançar pra não Dançar" (Rita Lee) - Rock'n Roll básico com pegada firme com letra bem construída com um certo ar de psicodelia. O piano da entrada muito bem colocado. Backings na hora certa e a mudança  da segunda que dá espaço para a guitarra magnifica de Carlini, econômica mas no momento certo.
  2. "Agora Só Falta Você" (Luis Sérgio Carlini / Rita Lee) - Boa pegada com trabalho de guitarras, fala de atitude e mudança de vida, busca da liberdade e coisas do gênero. Bateria bem trabalhada.
  3. "Cartão Postal" (Paulo Coelho / Rita Lee) - Blues com todos os trejeitos do estilo. Blues em português é algo difícil de fazer mas a parceria com Paulo Coelho faz bonito. Baixo preciso dando todo o clima da canção. A guitarra limpa e comedida funciona como a cereja do bolo.
  4. "Fruto Proibido" (Rita Lee) - Rhythm and blues tradicional com harmônica e tudo. O Vocal de rita está bem jovial e entra bem no clima da canção que fala sobre as buscas por ultrapassar as fronteiras estabelecidas.
  5. "Esse Tal de Roque Enrow" (Paulo Coelho / Rita Lee) - Sucesso absoluto faz uma sátira de uma mãe conversando com seu psicanalista sobre a sua filha. Uma música que trata, de maneira bem humorada, sobre os conflitos de gerações. Mais uma vez a parceria com Paulo Coelho e até uma referência sutil a Raul Seixas. Sax mandando ver. A Guitarra está mais bem elaborada também.

Lado B

  1. "O Toque" (Paulo Coelho / Rita Lee) - Outra em parceria com Paulo Coelho com uma pegada mais psicodélica. Mais uma vez o baixo faz a diferença na base junto com um ótimo trabalho nos tambores. A segunda parte passa para um clima bem pinkfloydiano.
  2. "Pirataria" (Lee Marcucci / Rita Lee) - Glam bem construído com um leve funkeado. Na minha opinião é a mais fraca do álbum. Mas é uma boa canção.
  3. "Luz del Fuego" (Rita Lee)  - Excelente canção de empoderamento com uma abertura muito bem feita de guitarra e bateria. Vocais e arranjos muito bem colocados. Realmente uma excelente peça musical. 
  4. "Ovelha Negra" (Rita Lee) - O que falar desta canção. Trata-se de um hino de uma geração que é cantada até hoje, já recebeu várias versões. Uma balada rock que encanta logo a primeira audição. Tudo nesta música é perfeito. Letra, arranjos, instrumental e o solo magistral de Luiz Sérgio Carlini, talvez um dos mais belos do rock nacional. Encerra o álbum de maneira impecável.

Conclusão

Fruto Proibido é um disco obrigatório para quem gosta de boa música. Rita Lee está na sua melhor performance e embora seu disco seguinte, Entradas e Bandeiras, seja mais homogêneo, é mais Tutti Frutti do que Rita Lee e Fruto Proibido é mais Rita. É um daqueles discos que ficam para sempre em nossas lembranças. Perfeito.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Underground Cristão #001 - Mortification - Primitive Rhythm Machine

Quando eu me converti ao Evangelho de Jesus Cristo uma das coisas que não me agradou muito foi a qualidade da produção musical, mas esta má impressão inicial foi quebrada ao escutar este álbum. Foi como uma luz no fim do túnel.
A banda australiana Mortification, começou, oficialmente, em 1990, mas a sua formação se inicia em 1984 quando o baixista e vocalista Steve Rowe monta as bandas Rugged Cross (1984) e  Axiz (1985). Apesar da vida curta destas bandas, elas foram estímulo para que Steve não desistisse de seu projeto de banda. Em 1986 nascia a banda LightForce que grava seu primeiro álbum, Battlezone, em 1987 e o Mystical Thieves em 1988. Já em 1989 quando se preparavam para o terceiro trabalho, Steve assume a direção da banda que passa a se chamar Mortification.

Com Steve Rowe (baixo e vocal), Cameron Hall (guitarra) e Jayson Sherlok (bateria) a nova banda lança o álbum Break The Curse, ainda com o nome de LightForce. Este álbum foi remixado e relançado como Mortification, em 1994, com uma faixa bônus. Oficialmente o primeiro trabalho é: Motification, de 1991, com Michael Carlisle na guitarra.

A banda passou por diversas formações e tendências e atualmente o time é composto por Steve, o guitarrista Lincon Bowen e o baterista Andrew Esnouf. O álbum Primitive Rhythm Machine foi lançado em 1995 e é sobre ele que iremos falar nesta postagem.

Lançado em 1995 pelo selo Intense Records e Nuclear Blast no formato CD e remasterizado e relançado em 2008 pela Metal Mind Productions, produzido por Steve Rowe conta co o próprio Steve (baixo e vocal), George Ochoa (guitarras e teclados), Bill Rice (bateria), Jason Campbell (guitarra base) e Dave Kellogg (guitarra solo).

O álbum tem uma pegada excelente e em certos momentos lembra o Sepultura, dos bons tempos, mas sem perder a identidade característica do Mortification. Trata-se de um trabalho mais experimental, com vocal mais limpo e que mostra uma boa evolução musical da banda que deixa o death, um pouco de lado, e soa mais metal.

Vale a pena conferir.


.Ouvir no Spotfy...

sábado, 27 de maio de 2017

O Cristianismo que Sofre

Embora o ato de ser cristão signifique ser incompreendido, muitas vezes a incompreensão é fruto dos nossos erros.
Que existe uma cruzada contra o cristianismo em todo o planeta, não resta nenhuma dúvida. A cada dia que passa vemos os valores da mensagem da cruz sendo postos de lado, não apenas no comportamento das pessoas, de uma maneira geral, mas também de forma institucional. Se isso não bastasse, a cada dia, ser cristão é visto como algo retrógrado e tipico de pessoas sem cultura. Mas de onde vem isto?

Como cristão, que sou, creio que existe um mundo espiritual dividido entre o bem e o mal e que há uma batalha acontecendo e que estes mundos influenciam pessoas a seguirem os preceitos de um ou de outro. Mas também entendo que a nossa percepção do Evangelho de Jesus Cristo é muito equivocada e termina por alimentar estas divisões de classes.

Me parece que nós, os crentes em Cristo, não compreendemos qual seja verdadeira mensagem do Homem de Nazaré. Nossos sonhos egoístas, nossos projetos pessoais, nossas conquistas nos levam a crer em um Deus que nos quer sempre acima de tudo e todos. Esta crença equivocada nos tem transformado e pessoas presunçosas e arrogantes e, consequentemente, detestáveis.

O viver cristão, não é, como muitos pensam, uma coleção de conquistas mas sim um acúmulo de renuncias em favor do próximo. Bradamos que Deus é Amor, mas esquecemos de demonstrar o amor de Deus, em nossas vidas, por aqueles que carecem e não conhecem este amor. Isto é o viver cristão: renunciar a nós mesmos e dedicar-se aos próximos de nós que são justamente aqueles que se encontram ao alcance de nossas atitudes e ações.

Precisamos mudar, não em defesa do Deus Todo Poderoso, pois ele não precisa disso, mas em defesa da fé que anunciamos, pois é mais fácil e prático demonstrar nossa fé com atitudes do que com palavras lançadas ao vento. Que Deus tenha misericórdia de nós!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Underground Cristão Vai Bem, Obrigado!

Enquanto no Mainstream cristão nacional quase não se aproveita nada a cena underground despeja toneladas de bandas para todos os gostos
Quando eu e Eduardo Teixeira, do Cristo Suburbano, fazíamos o Podcast do Esconderijo, em um determinado episódio ele me perguntou a diferença entre mainstream e underground e eu respondi que o mainstream é produto e underground é arte. Minha opinião sobre o assunto continua exatamente a mesma. E dentro do universo da música cristã é exatamente a mesma coisa. Isto acontece porque existe uma indústria musical que como todo e qualquer negócio, visa lucro. Esta busca pela viabilização e comercialização do produto acaba, muitas vezes, levando os profissionais do ramo a criação de produtos que possam ser facilmente aceitos, consumidos e descartados para que a próxima fornada não se perca. Neste processo, normalmente, a qualidade artística, poética e teológica fica em segundo plano. Enquanto isso, na cena underground, a certeza do baixo retorno financeiro acaba proporcionando aos criadores mais liberdade artística, mais comprometimento com a qualidade e uma maior preocupação com o conteúdo das mensagens.

Evidente que em ambos os lados existem exceções. Do lado mainstream, temos bons artistas produzindo boa música de excelente qualidade técnica e poética e com conteúdo teológico relevante, como é o caso da banda Resgate, assim como no meio underground também existe coisa que não se aproveita, mas no geral a regra permanece. E quando eu me refiro ao underground não estou me referindo apenas a galera do rock. Eu me refiro a todos os que estão produzindo arte, mas que correm por fora da grande mídia. Hoje é possível garimpar música cristã em todos os estilos que você possa imaginar e tem coisas realmente sensacionais.

Este artigo não tem por objetivo enumerar artistas mas servir de incentivo para que você comece a procurar conteúdo fora dos umbrais da mídia tradicional. Não vou apontar artistas específicos pois estaria apenas indicando aquilo que eu curto e que pode ser diferente do que você está buscando.

Onde Procurar

Uma boa pedida para quem curte um som mais voltado para o punk hardcore são os canais do Cristo Suburbano, mantidos pelo Eduardo Teixeira, da manda No More Zombies, vou dar o endereço do blog e de lá você encontra os outros canais. Tem também o Metal Cross onde você pode assistir clipes de várias bandas cristãs que fazem um som da hora. Tem o canal da Gabi Rox onde existem várias dicas de bandas nacionais e internacionais do underground cristão. Outra cena bastante forte é a do RAP cristão. Vou indicar dois; o blog Hip-Hop Gospel e o site Portal Rap onde você vai encontrar bastante informação sobre o assunto. Estes são alguns canais mas existe muito mais. E se você conhece algum bem legal, coloque o link ai nos comentários para gente divulgar. Grande abraço.

Links:

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O ideal e o real na rede social

As postagens revelam a verdadeira face por trás das fotos tratadas do Facebook 
Cada perfil na maior rede social do nosso mundinho revela dois tipos de pessoa. Uma é a da foto da página pessoal e dos álbuns de fotos e a outra é a das postagens e curtidas. Se fossemos traçar um perfil dos usuários da rede, baseados nas imagens, chegaríamos á uma rápida e equivocada conclusão de que todo mundo é bonito, rico e come bem. Lógico que estou me referindo a nossa brava gente brasileira. Mas se formos traçar este mesmo perfil baseados em postagens, curtidas e compartilhamentos, chegamos a conclusão de que a maioria destes mesmos usuários, não tem valores bem definidos, são preconceituosos e extremamente egoístas, só pra começar.

As redes sociais, desde os tempos do finado Orkut, vem promovendo uma maior interação entre os seres humanos. Pessoas que não se viam e não se falavam há anos se redescobrem por elas. Mas por trás destes fenômenos benéficos existe uma dura realidade imposta pelo establishment, que leva há uma espécie de ostentação digital. Fotos tratadas, corpos perfeitos, lugares maravilhosos, comidas exóticas e festas, muitas festas. Sabemos que a maioria esmagadora dos mortais, como eu e você, não vive um mundo de glamour e holofotes. As dificuldades da vida diária, estão aí e atingem todos sem qualquer traço de preconceito. Então o que está acontecendo?

A Ditadura da fama, beleza e inclusão, transformou  muita gente em refém do sistema. As pessoas tem uma necessidade absurda de: serem aceitas, elogiadas, comentadas e de passar uma imagem de vencedores, sempre. Eu vejo este tipo de comportamento como uma espécie de falta de perspectiva e de projeto de vida. Converso com muitos jovens e sempre escuto a mesma coisa: "Quero ter grana, muita grana!". Esta redução de valores confinada a uma imagem, roupas de marca e lugares da moda, revela uma alma solitária que encontra no ego(ismo) a única saída. Mas por trás da maquiagem e dos cenários hollywoodianos, existe um ser humano com medos, desejos e pensamentos próprios. Mas como descobrir o SER por trás do PARECER? É aí que entra o conteúdo.

Por exemplo: estava vendo o perfil de alguém que conheço a realidade, para fazer uma comparação. A primeira vista parece ser uma pessoa altamente religiosa, muito bem sucedida, intelectual e que gasta seu muito tempo e dinheiro ajudando os desfavorecidos e pregando o evangelho, mas se continuarmos olhando começamos a perceber que a realidade da pessoa não é tudo aquilo e que na verdade é uma pessoa fútil, inconstante e acostumada a viver as custas dos outros. Num outro perfil, a pessoa parece um modelo que só frequenta lugares top. Mas aos pucos o que se vê é alguém vulgar, com pouquíssima bagagem cultural e com valores mal definidos ainda que queira dizer que é cristã.

São muitos exemplos e não vou ficar aqui relatando um por um, mas o que tenho visto é algo do tipo: Posta uma mensagem sobre o amor de Deus e curte o linchamento de alguém que cometeu um crime. Tira foto com livro na mão mas sequer sabe escrever decentemente. Coisas deste tipo! É uma geração que sente muita dificuldade em se posicionar e por isso vai sempre com a massa, para não parecer uma carta fora do baralho. Finge ser o que não é e ter o que não possui. É como se fosse uma prisão sem grades e sem correntes visíveis. Pense nisso!

Não sou psicólogo, mas mesmo sem um conhecimento profundo sobre a psique do ser humano é fácil identificar estas anomalias. Poderíamos ir além, analisando os grupos que a pessoa participa, as páginas que acompanha, mas vou ficar por aqui. Grande abraço!

domingo, 7 de maio de 2017

Desejamos ir lá, só que não

Existe uma canção na Harpa Cristã que a letra fala: Desejamos ir lá... Mas será que realmente desejamos?
Na carta do apóstolo Paulo aos Filipenses, no capítulo 1, versículos 23 e 24 ele diz: "Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo". Paulo sentia um profundo desejo de partir logo desta vida para estar com Cristo por toda a eternidade. No entanto, por amor das almas ele desejava continuar aqui para seguir fazendo a obra do Senhor. Mas e nós? O que nos impede de partir desta vida? Que desejos nos impulsionam a desejar continuar neste mundo?

Outro dia, eu conversava com uma pessoa sobre o Reino de Deus e ela me falou que ainda é muito jovem para morrer e que precisava aproveitar a vida. E percebo na maioria das pessoas um desejo muito forte pelos prazeres que o mundo oferece. Uns querem construir suas carreiras profissionais, outros querem possuir bens materiais, outros querem fama e fortuna, outros só a fama e há até aqueles que não querem nada disso mas almejam um mundo melhor, mais justo. Mas em todos estes casos sempre existe um desejo de permanecer aqui. É aquela velha máxima: todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer. Mas não há outra maneira de ir pro céu!

A Bíblia Sagrada não diz muita coisa sobre como é o céu mas deixa bem claro o que ele não é. De acordo com as Sagradas Escrituras, lá não existe tristeza, doenças, inveja, despesas, e nem toda sorte de males e empecilhos que são comuns neste nosso mundo. Mas mesmo sabendo que lá é um lugar melhor (muito melhor) do que este, não queremos partir desta vida. Não estou me referindo àqueles que não creem em Deus, pelo contrário, me refiro aos que professam a fé cristã e que propagam que o céu é um lugar melhor. Só existem dois motivos para um crente em Jesus não desejar partir: ou é por conta de um profundo amor pelo próximo ou apenas um desejo egoísta de quem ainda não compreendeu, verdadeiramente, quem é Deus e a importância do sacrifício feito por Jesus, na cruz do calvário.

Se aquilo que nos move em direção a este mundo é apenas o desejo de realizarmos nossos projetos pessoais e materiais, então devemos rever a nossa fé pois estamos sendo motivados erroneamente. Pense nisso!

terça-feira, 2 de maio de 2017

Modos & Estilos #018 - Secos & Molhados - Secos & Molhados II

Um álbum a frente de seu tempo e que ainda soa surpreendente!
A banda Secos & Molhados criada, em 1970, pelo cantor e compositor português, radicado no Brasil, João Ricardo, teve muitas formações. Mas nos anos de 1973 e 1974 o grupo teve a formação considerada clássica composta pelo próprio João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Gérson Conrad (vocais e violão) e Ney Matogrosso (vocais).  Com este time gravaram os dois primeiros álbuns da banda que são verdadeiras obras primas da música brasileira: Secos & Molhados I (1973) e Secos & Molhados II (1974).

O impacto causado pela banda foi arrebatador. Numa época difícil para o país, os Secos & Molhados ousaram em tudo. Na musicalidade inovadora, nas letras, no visual extravagante, na mistura de sons e ritmos com elementos do rock, jazz, progressivo, folclore português, MPB e muito mais. Apesar do tempo, o trabalho realizado a esta época,continua atual e ainda surpreende os ouvidos mais atentos.

Mesmo não tendo obtido o mesmo sucesso e volume de vendas do primeiro disco, Secos & Molhados II é, na minha opinião, não apenas o melhor trabalho do grupo, mas um dos melhores álbuns produzidos no Brasil e pode facilmente figurar entre as grandes coleções da música mundial. Mas nem tudo são flores, o álbum originalmente foi prensado em vinil não virgem o que prejudica um pouco a qualidade sonora e merece uma remasterização. No entanto este detalhe não o deixa menor e menos importante. A capa simples, minimalista e intrigante já dá uma mostra do seu conteúdo.

Menos rock que seu antecessor, as músicas do disco passeiam por vários estilos e criam um clima de delírio e introspecção com arranjos muito bem construídos e uma performance vocal primorosa de Ney Matogrosso. Nas letras temos um desfile de autores como:  Julio Cortázar, João Apolinário, Fernando Pessoa e Oswald de Andrade além do próprio João Ricardo, Paulinho Mendonça e uma parceria com a cantora, compositora e multi-instrumentista brasileira, Luhli, na faixa Toada & Rock & Mambo & Tango & Etc.

Além do Trio, participam deste álbum os músicos: Norival D'Angelo (bateria, timbales e percussão), Sérgio Rosadas (flauta transversal e flauta de bambu), John Flavin (guitarra elétrica e violão de 12 cordas), Willi Verdaguer (contrabaixo elétrico), Emilio Carrera (piano, órgão e acordeão), Triana Romero (castanholas) e Jorge Omar (violões e viola). Destaque para o baixista Willi que dá um show de técnica e musicalidade. Mas vamos às músicas:

01 - Tercer Mundo (João Ricardo/Julio Cortázar) - Música no estilo flamenco, com castanhola e tudo. Num clima bem revolucionárioe um belíssomo de trabalho de violões.
02 - Flores Astrais (João Ricardo/João Apolinário) - Foi o hit deste álbum, tocado e retocado em tudo que é lugar. Clima psicodélioco, meio prog, meio pop. Excelente.
03 - Não: Não Digas Nada (João Ricardo/Fernando Pessoa) - Mais uma acústica. Num belíssimo arranjo sobre um poema de Fernando Pessoa. 
04 - Medo Mulato (João Ricardo/Paulinho Mendonça) - Num clima de suspense  a letra fala dos medos que rondam as mentes alimentadas pelas histórias de fantasmas. Tem um clima meio circense e um arranjo de flauta muito bom.
05 - Oh! Mulher Infiel (João Ricardo) - O Violão passeando em um acorde trás a melodia que denota intimidade. É o próprio João Ricardo que canta. Dá a sensação de uma pausa.
06 - Voo (João Ricardo/João Apolinário) - Com um baixo magistral a música tem uma levada meio prog que passa bem a sensação de algo voando. Rock de primeira meio folk sobre o poema de João Apolinário.
07 - Angústia (João Ricardo/João Apolinário) - Mais uma que o baixo de Willi simplesmente arrasa. Rock setentista com uma intervenção de guitarra com sonoridade bem psicodélica.
08 - O Hierofante (João Ricardo/Oswald de Andrade) - Rock de alta qualidade sobre um texto de Oswald de Andrade deixando claro que, se Ney era a voz da banda, João Ricardo era o cérebro.
09 - Caixinha de Música do João - (João Ricardo) - Faixa curta e melancólica que funciona como uma transposição para a a última parte do álbum.
10 - O Doce e o Amargo (João Ricardo/P. Mendonça) - Mais um trabalho de cordas bem cunstruido que nos levam a refletir.
11 - Preto Velho (João Ricardo) - Tema contemplativo com uma flauta lindíssima e o vocal de João ricardo num poema introspectivo que olha direto para a alma.
12 - Delírio (Gérson Conrad/P. Mendonça) - Blues arrasa quarteirão de arrepiar. Sempre falo como é difícil fazer blues em portugues, tem que ter muito talento e os caras esbanjam.
13 - Toada & Rock & Mambo & Tango & Etc (João Ricardo/Luhli) - Rock Psicodélico com todas as nuances do estilo, com um vocal sussurrado mostrando o quanto os caras poderiam ter produzido juntos.

Conclusão

Secos & Molhados II é um disco formidável que não pode faltar em nenhuma coleção. Uma obra musical a frente de seu tempo. O talento musical de João Ricardo está a flor da pele, a voz de Ney está impecável. Enfim, uma produção nacional que nos dá orgulho de ser brasileiro.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Saia do templo e seja cristão!

Não vá dizer que eu estou dizendo para você abandonar a denominação que costuma frequentar. Leia a postagem para entender.
Antes que alguém venha me acusar de estar incitando as pessoas a deixarem da igreja quero deixar claro que entendo ser altamente necessário que o cristão faça parte de um grupo, de uma denominação, onde possa se reunir com outros indivíduos que partilham das mesmas ideias e ideais. Eu mesmo já frequentei algumas denominações religiosas e hoje estou a frente de um trabalho. O objetivo deste artigo é chamar a atenção para a nossa função primordial enquanto cristãos.

Depois que Jesus completou a sua missão, nesta terra, entregando a sua vida e ressuscitando ao terceiro dia, antes de partir ele nos deixou uma tarefa para ser executada por todos os seus seguidores que foi registrada no Evangelho de Jesus escrito por Mateus:
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Marcos 16:15-18.
Não há como não entender este texto. Ele é explícito. A ordem é ir por todo o mundo, pregando a toda criatura. Isto não se faz dentro de um prédio, pois nem todos estarão dispostos a ir a igreja para ouvir a pregação é preciso sair para fora. Quando pensamos a igreja como um corpo composto por aqueles que seguem Jesus temos que entender que esta possui um legado social. O Evangelho precisa ser anunciado e para isso temos que estar dispostos a ir. Não é uma escolha e sim de obediência a uma ordem dada pelo próprio Jesus. Quando vejo as igrejas organizando encontros de crentes, festas pra crentes, congressos para crentes, entendo que estes encontros são importantes para transmissão de conhecimento mas não tem nenhum sentido se após o encontro não utilizarmos o conteúdo adquirido para cumprir o ordem de pregar o Evangelho.

Outra coisa que me chama a atenção é o texto "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." Note que a função do anunciante não é converter pessoas para levá-las a igreja e sim apenas anunciar o Evangelho. No que diz respeito a conversão, é uma decisão pessoal daquele a quem a mensagem foi anunciada.

Em seguida temos algo muito interessante: "E estes sinais seguirão aos que crerem" ou "Estes sinais acompanharão os que crerem" (NVI) ou "Estes milagres acompanharão os que crerem" (Católica) ou "Estes sinais hão de acompanhar àqueles que creem" (Soc. Bibl. Britânica). Este texto vem logo após do "quem crer e for batizado". Posso estar enganado mas para mim o texto está dizendo que aquele a quem for anunciado o Evangelho e ele der crédito os sinais já se manifestarão ao novo crente, assim como já deveriam estar se manifestando em nós desde que demos crédito a pregação.

Não vou entrar nos sinais e nos desdobramentos que eles sugerem por tratar-se de um assunto vasto e longo que irei tratar numa próxima oportunidade. O que quero com este texto é deixar evidente que a missão do crente não se restringe a pertencer a uma denominação e participar das atividades desta, mas vai muito além disso. Temos uma função social motivada pelo amor ao próximo que é a de anunciar as boas novas do reino. Não podemos em hipótese alguma, esquecer disso. Precisamos nos conscientizar desta missão e ter a convicção de utilizar todos os meios a nossa disposição para realiza-la de forma plena. Espero, sinceramente, em Cristo, que este artigo te ajude a tomar uma posição assim como está me ajudando. Grande abraço.